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Como surgiu o Touro Preto
 
 
 
 
 

 

 
 
 
     
 
Boi bumbá Touro Preto
 
     
 

Nos idos do ano de 1937, um pequeno grupo de pessoas composto pelos senhores Edson Beltrão, Evandro Beltrão, Antonio Marinho Dutra, João da Silva, Francisco Silva, Manoel Segundo e João Teixeira, sob a liderança e inspirção do senhor Paulo Beltrão, decidiu criar em Barreirinha a brincadeira do Boi Bumbá.

Inicialmente o Boi ganhou o nome de Boi Caprichoso de Barreirinha, por influência da cidade vizinha de Parintins, e não demorou muito para que a massa popular aderisse a novidade, fazendo da brincadeira do Boi Bumbá evento popular de grande expressão.

Fundado na propriedade rural "São Lourenço ", situada às margens do Paraná do Ramos, logo abaixo da cidade de Barreirinha, lugarejo de barrancas e terra vermelha, o Boi Caprichoso de Barreirinha deu seus primeiros passos, principiando com timidas apresentarções que contavam com a participarção de caboclos moradores das redondezas, os quais, juntamente com suas esposas e filhos, se dirigiam ao lugar da brincadeira para passar o dia. Lá comiam, bebiam e esperavam a chegada da hora para assistirem ou participarem das brincadeiras.

Depois de casar-se, o senhor Paulo Beltrão recebeu como presente de casamento de seu pai Raimundo Beltrão, uma propriedade que denominou de "Vila Nova", hoje pertencente ao empresário Luiz Teixeira.

A brincadeira, então, passou para a propriedade "Vila Nova". Nessa época o Prefeito Militão Dutra chamava o Boi para brincar em frente a sua casa, onde hoje existe um famoso restaurante popularmente conhecido como "Restaurante do BROTHER". O Boi vinha de canoa e se apresentava em frente a casa dos simpatizantes Militão Dutra, Edson Beltrão, Evandro Beltrão e Nenem Cabral. Em troca da apresentarção, os brincantes recebiam de seus simpatizantes bolo e aluá extraido da casca do ananás.

Depois disso, vinha o alto do Boi, que era o momenta em que o Pai Francisco e a Mãe Catirina vendiam o coração do Boi para o dono da residência e recebiam como pagamento uma gorjeta gorda.

Os simpatizantes que faziam isso eram pessoas ilustres da cidade, geralmente cidadãos de posse que concorriam entre si para ver quem pagava a gratificação mais alta. Em torno da brincadeira, que acontecia em frente a residência de simpatizantes, tinha uma fogueira onde o Boi parava em frente para fazer suas evoluções corporais.

Os brincantes da Marujada usavam chapeu de palha enfeitados com flores de fita de papel crepom ate a altura do calcanhar. Não existiam os itens. Era apenas a Marujada, Pai Francisco e Mãe Catirina, Dona Aurora, Padre, Bicho Folharau, Caçador, Tuxauas e Tribos Indigenas do Boi.

Os capacetes eram ornamentados com penas de animais silvestres, pois não existia material sintetico na epoca. Os instrumentos de percussão do Boi eram feitos de couros de animais silvestres. A estrutura dos instrumentos era feita a partir de material aproveitado de pequenos tambores de óleo lubrificante de 20 litros.

Na medida em que a madrugada chegava e a noite esfriava, os instrumentos eram aquecidos na própria fogueira em que o Boi se apresentava para não perderem sua sonoridade.

Outros bumbás

Algum tempo mais tarde surgiu o Boi adversário Corre Campo, dissidente do Caprichoso de Barreirinha, que foi fundado pelo senhor Antonio Pereira. A sede do Boi Corre Campo era na Rua Getúlio Vargas.

Foi com o Boi Corre Campo que surgiram os primeiros encontros em frente a Igreja Matriz, onde é a Praça do Cristo Redentor. O encontro era igual ao de dois animais vivos. Os Touros se digladiavam, se confrontavam e o objetivo era jogar o adversário sobre a fogueira.

O Boi que caisse na fogueira perdia o confronto. E o vencedor saia correndo para não ser agarrado pelos simpatizantes do Boi adversario. Quase sempre o Boi perdedor saia com a pele queimada e o chifre quebrado por conta da violencia com que ocorriam os confrontos.

Com a morte de seu fundador Antonio Pereira, o Boi Corre Campo sumiu. O último organizador do Boi Corre Campo foi o senhor Edmilson Tavares Beltrão, o popular MIROCA, que era quem confeccionava o Boi. Nesse periodo ocorreram os confrontos mais acirrados.

Por exatos dois anos, o Boi Corre Campo chegou a ser temido pelos adversários, mas acabou sucumbindo a força do Caprichoso de Barreirinha, que sobrevive até hoje com o nome de Touro Preto. Lá se vão 73 anos de histíria da cultura do Boi Bumbá de Barreirinha.

Apos isso, o Boi Caprichoso de Barreirinha durante vários anos apresentou-se sozinho, para cumprimento da promessa de seus organizadores feito a São João Batista.

O Boi passou a festa oficial no Governo do Prefeito Coriolano Cidade Lindoso. Dai por diante a brincadeira foi crescendo e ganhando proporções de festa popular. O ambiente mais apropriado para apresentação dos Bois quem deu enfase foi o então Prefeito Esmeraldo Nogueira Trindade com a inauguração da atual quadra municipal.

Os Bois passaram a receber apoio oficial, na forma de recursos financeiros, no Governo da então Prefeita Maria do Socorro Dutra Lindoso, filha do Prefeito Militão Dutra.

Fonte: Raimundo Beltrão (Pião), já falecido, sobrinho e filho dos fundadores dos bumbás

 

 
 

 

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